
Vou começar quando eu era criança. Eu não era igual as outras. Eu Não saia pela casa com as roupas e sapatos da minha mae me achando adulta, ou um vestido rosa qualquer, desfilando pela casa. Eu não tinha o sonho de ser uma modelo famosa. Eu não passei minha infancia brincando de barbie, ou boneca. Preferia brincar de carrinho, jogar futebol com os meninos, brincar de esconde-esconde. Meus pais não me levavam no shopping aos sábados. Não me levavam para comer no McDonald’s. Não me davam aqueles conselhos mais banais como “não fale com nenhum estranho”. Eu não dormia com eles quando estava com medo. Fiz coral na escola, todos os anos, nos dias das mães, a minha não comparecia. Nunca recebi um “eu te amo” do meu pai, nem mesmo um abraço. Não tinha muitas amigas. Passei por uma coisa quando eu era criança, mas tenho vergonha de falar, e não é por qualquer motivo, é porque tenho trauma até hoje. Já desde pequena desejava morte de certas pessoas. Não que me orgulhe disso. Então fui crescendo, perdendo cada vez mais, mais pessoas, cada vez me sentia mais sozinha, mais abandonada. Até tive algumas amizades, mais acabei perdendo-as. Não que eu seja completamente isolada de todos, que nada. Tento ao máximo alegrar a todos, tento ser simpática. Mas quando faço isso, me fodo.Sabe, já fui muito boazinha com as pessoas, ainda sou, e isso não me leva a nada. Sou daquelas que ama uma festa, daquelas que adora curtir ao máximo, daquelas que adora uma adrenalina. Amo comer, me empanturrar de doce. Sabe o meu sonho ? Pular de paraquedas. O que eu mais odeio ? Gente. Também odeio filmes de romances, odeio draminhas, odeio a porra da falsidade. Nunca fui de procuras o “príncipe encantado”, pra mim não existe isso. Tenho uma vontade imensa de dizer “PORRA, me virei a vida inteira com meus problemas, porque você também não pode fazer isso ?” quando alguém vem de draminha para o meu lado. Não venha me dizer que ama e não é correspondido, porque você vai levar um “vai pra puta que pariu” de resposta.Sabe, já quis sumir. Não que eu saiba que tem pessoas que não tem o que comer, que não tem um pai ou uma mãe, que moram na rua. Mas porra, tenho sentimento, e isso me fode. Então acho que é isso, esse texto não tem muito um assunto principal, mais isso tudo tava preso dentro de mim, e já que não tenho ninguém aqui para me ajudar, não tenho nenhum ombro amigo, não tenho ninguém para me dar aquele abraço apertado, resolvi escrever.

